Diante da abundância de informação, a capacidade de selecionar tornou-se tão decisiva quanto o acesso. Uma parte dessa escolha acaba entregue à tecnologia. Outra depende do nosso julgamento e das referências em que confiamos.
Durante muito tempo, essa triagem era determinada sobretudo pela escola e pela família, além da indústria cultural, enquanto o poder aquisitivo definia o que estava ao alcance de cada um. Hoje, essa escolha depende mais de nós. Porém, sem um critério que a oriente, a atenção se fragmenta e o que se retém tende a ser uma lembrança difusa. É dessa dispersão que nasce a fadiga informacional.
A necessidade de selecionar convive com outra exigência, a de saber parar. Aceitamos com naturalidade que um computador precise ser desligado depois de muito tempo em funcionamento, especialmente quando o acúmulo de processos começa a comprometer seu desempenho. Com a mente, nem sempre fazemos o mesmo.
A dificuldade aumenta quando a própria conexão invade justamente o período de descanso, importante para assimilar o que recebemos. O uso de telas à noite pode atrasar o sono e reduzir sua qualidade.
Essa lógica aparece ainda na forma como organizamos o tempo. Procuramos ocupar cada intervalo da agenda e relegamos o descanso a um depois indefinido. Quando esse ritmo se prolonga, o estresse se manifesta como sinal de sobrecarga.
A seletividade, por sua vez, costuma ser lida como privação. Predomina a ideia de que é preciso consumir cada vez mais, e isso afeta nossa relação com a arte. Espera-se que o riso venha de imediato e que a canção agrade logo na primeira audição. Uma obra que exige mais tempo pode ser abandonada antes que mostre seu valor.
Essa pressa se reflete na maneira como avaliamos o que escolhemos acompanhar. Há pouco tempo para uma impressão amadurecer. Quando o olhar muda continuamente de direção, mesmo o que merece atenção passa depressa demais diante de nós. É difícil apreciar a vista quando o horizonte está em constante mudança.

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