Em um cenário em que grande parte do debate público acontece nas plataformas digitais, o intelectual público pode ampliar sua influência para além da universidade e dos livros. Essa é a tese defendida por Guilherme Cezar Coelho, que toma a posse de Milton Hatoum na Academia Brasileira de Letras como ponto de partida para discutir o papel desses pensadores no Brasil de hoje.
O autor recupera as ideias do crítico literário palestino-estadunidense Edward Said, apresentadas em “Representações do Intelectual”. Para Said, cabe ao intelectual participar da vida pública e colocar seu conhecimento a serviço da sociedade. Em vez de permanecer restrito ao ambiente acadêmico, ele deve contribuir para qualificar o debate e defender grupos com pouca representação política e social.
Coelho argumenta que redes sociais oferecem a esses intelectuais uma oportunidade inédita de dialogar com milhões de pessoas. O articulista sustenta que esse contato mais direto pode estimular maior participação da sociedade em temas como educação e qualidade dos serviços públicos.
Os indicadores educacionais reforçam esse diagnóstico. Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, índice estagnado desde 2018. Apenas 10% da população adulta alcança nível de proficiência. Para o autor, enfrentar esse quadro depende de um Estado mais eficiente, mas também de vozes capazes de aproximar conhecimento e sociedade.
