José Castilho diz que acesso à leitura depende de políticas públicas estruturadas

A retomada de políticas públicas de leitura em escala nacional é o principal caminho para ampliar o número de leitores e enfrentar o analfabetismo funcional no Brasil. A avaliação é do professor José Castilho, ex-diretor da Editora Unesp e ex-secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), durante o lançamento de “O Poder das Palavras e Outros Poderes”.

Segundo Castilho, democratizar o acesso aos livros depende de uma atuação contínua do Estado. Entre as medidas apontadas estão a expansão e manutenção de bibliotecas públicas e comunitárias, a formação permanente de professores, bibliotecários e outros mediadores de leitura, campanhas de valorização do livro e incentivos à produção editorial, incluindo editoras e livrarias.

O pesquisador também defendeu que a escola avance da alfabetização para a formação efetiva de leitores. Segundo Castilho, a leitura literária é essencial para superar o analfabetismo funcional porque estimula a interpretação e expande o repertório do leitor.

Castilho afirmou ainda que a Política Nacional de Leitura e Escrita, instituída pela Lei nº 13.696/2018, deve ser consolidada como uma política de Estado, independentemente das mudanças de governo. Na avaliação do professor, iniciativas locais e projetos comunitários têm papel relevante, mas somente políticas públicas estruturadas conseguem garantir acesso à leitura em escala nacional e transformar esse direito em realidade para toda a população.