Muito antes de a leitura passar a ser tratada como ferramenta de desenvolvimento pessoal, o escritor chinês Lin Yutang defendia que ela deveria nascer do interesse, e não da obrigação. Essa visão aparece em “A arte de ler”, capítulo de “A importância de viver”, publicado em 1937 e traduzido no Brasil por Mário Quintana. Nele, o autor argumenta que a relevância de um livro depende tanto da obra quanto do momento de vida do leitor.
Para Yutang, não existem livros indispensáveis para todas as pessoas. Um clássico lido cedo demais pode parecer enfadonho, enquanto a mesma obra, revisitada anos depois, revela significados que antes passavam despercebidos. A afinidade entre leitor e livro, afirma, depende das experiências acumuladas ao longo da vida.
O escritor também sustenta que abandonar um livro não deve ser visto como fracasso. Comparando a leitura à alimentação, argumenta que os gostos literários variam de pessoa para pessoa e que professores e pais não deveriam esperar que todos apreciassem os mesmos autores.
Outro tema recorrente é o papel da leitura na ampliação da experiência humana. Para Yutang, os livros permitem ao leitor ultrapassar os limites do próprio tempo e do próprio círculo social ao entrar em contato com ideias produzidas em diferentes épocas. Como a experiência de quem escreve e a de quem lê não são idênticas, um mesmo texto pode ganhar novos significados ao longo da vida.
Entre as ideias mais conhecidas do capítulo está a de que encontrar um autor com quem exista verdadeira afinidade transforma a experiência de leitura. Em vez de seguir listas de obras indispensáveis, Yutang defende que cada leitor construa seu próprio percurso, guiado pela curiosidade e pelo encontro com livros que dialoguem com sua experiência.
